Hand spinner: febre entre alunos e motivo de estresse nas escolas

RIO — Um pequeno brinquedo colorido não para de rodar nas mãos de adolescentes. Formado por círculos que giram rapidamente na ponta dos dedos, o hand spinner virou febre, e, apesar de algumas pessoas atribuírem à peça uma função terapêutica — dizem que alivia a tensão —, tem sido motivo de estresse nas escolas. Segundo a coluna Gente Boa, o Colégio Santo Inácio, em Botafogo, quis proibir seu uso nas salas de aula.

— Comprei o meu há três dias, e hoje a professora alertou que não poderíamos usar na sala — diz Daniel Zambelli, do 9º ano do Santo Inácio, que aprende as manobras pela internet.

A instituição, no entanto, diz que tudo não passou de um mal-entendido. Em vez de proibir, alega ter orientado para não usarem o hand spinner na aula, para evitar a distração.

No Colégio Santo Agostinho, no Leblon, o assunto também gira em torno do brinquedo. Ana Luisa Marinho, do 8º ano, por exemplo, conta que já encomendou um e, enquanto o dela não chega em casa, usa os das amigas.

— Só hoje (ontem) recolhi dez brinquedos que rodavam durante a explicação da matéria. É um desespero, param de prestar atenção, vira uma confusão. Mas, no fim da aula, eu devolvo — conta a professora Danielle de Almeida.

Na Colégio pH, em Ipanema, os alunos também fazem rodas para brincar.

— Eu comprei o meu há um mês para me ajudar a relaxar, e funciona — garante Franco Moraes, do 9º ano.

Diretor-geral do Grupo GPI, Jorge Neto concorda com a proibição em sala, mas libera o hand spinner nos intervalos:

— Quando qualquer brinquedo vira moda, é natural o aluno levá-lo para a escola. Mas, em sala, obviamente não permitimos nada que prejudique a atenção. O hand spinner não oferece risco físico, mas desvia o foco.

O hand spinner foi criado na década de 1990 com a proposta, justamente, de aumentar a concentração e auxiliar no relaxamento. A peça chegou a ser usada de forma terapêutica por pacientes com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. No entanto, o médico Jairo Werner, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em psiquiatria infantil, não conhece estudos que comprovem a eficácia do brinquedo, cujos vídeos viralizaram na internet:

— Isso virou uma grande moda. Tenho pacientes que usam, não por recomendação minha, mas por conta própria. É um aparelho que fornece um alívio momentâneo da ansiedade, porque algumas pessoas, em especial as crianças, têm muita energia para extravasar. Tudo pode ser usado para o bem ou para o mal. Limite é sempre necessário.

Para algumas pessoas, a brincadeira foi transformada em oportunidade de negócio. O jornaleiro Marcelo Amaral, que trabalha na banca em frente ao Santo Agostinho, pesquisou sobre o hand spinner no Youtube e passou a vender o produto, que, em sites especializados, pode ser encontrado por R$ 15. Em lojas da cidade, sai por R$ 50, e, em algumas delas, há fila de espera. Camelôs negociam por R$ 25.

Fonte: https://extra.globo.com/noticias/rio/hand-spinner-febre-entre-alunos-motivo-de-estresse-nas-escolas-21449664.html

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